quinta-feira, 29 de outubro de 2020

CRISE



Estou em crise

Mais uma vez

Nenhuma novidade...


Em crise de artista

Sem criatividade

Sem conseguir criar

Será?


Não sei

Mas assim vejo


Talvez eu não consiga criar, me soltar e fluir pela imaginação, pela quantidade de opressão que me cerca

Eu não me encaixo

Eu não sou como outros, nem como outras

Sou apenas eu

Única no mundo, no Universo

Não me encaixo

E me recuso tentar me encaixar


Dói


Não caibo


Não me aceitam como sou


Não é minha culpa, nem minha responsabilidade


PRISCILA KLESSE

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

UM DESABAFO DE UM TEMPO PASSADO QUE PODERIA SER PRESENTE...




Eu to precisando fazer um desabafo aqui.
Eu sei que a diferentona sou eu, a que vê o mundo de outro jeito.
Mas vão tudo se foder!
Eu to de saco cheio dessa hipocrisia que força as pessoas a se encaixarem em gavetas, em formas, em padrões, impedindo que sejamos quem somos pra poder sermos aceitas em certos lugares.
O mundo tá acabando, geral ta morrendo pra caraleo, o povo tá surtado fazendo festa, saindo na rua e os cambau e eu é que não vou segurar a minha língua, vou dar show mesmo, vou falar como me sinto sim, vou problematizar o que me incomoda sim e vou sair sem ouvir resposta sim.
Fiz as pazes com ser chamada de arrogante, de louca ou do que for.
No fim quem sobra comigo, ao meu lado sou eu mesma e só eu sei os calos do meu pé e o valor dos meus boletos.
Eu não quero dó de mim não, nem piedade, nem nada.
Apenas olhem pro outro lado antes de chamarem alguém de louca ou de surtada, ou não olhem mesmo e me deixem em paz, aliás deixem todos os intensos, os verdadeiros em paz, se vocês não conseguem nos entender, bem vindos, eu também não me entendo, e gosto assim.
E sim, eu vou continuar causando, tacando fogo mesmo.
Vocês é que lutem, não é isso que se diz?
Aqueles que ficam comigo merecem e recebem todo o meu amor porque é todo, é verdadeiro eu não consigo ser por partes ou em pedaços.
Aqueles que se vão, só desejo o bem e que sejam felizes, TODOS somos tóxicos uns pros outros em algum momento e eu sei que não sou nem nunca fui um alecrim dourado, só vá e vá bem, se for pra gente se reencontrar a gente se reencontra, mas me deixa em paz, segue teu caminho que da minha parte eu sigo o meu na paz.
Eu não tenho medo dos choques, dos debates, das tretas, eles nos fazem crescer, eles geram vida, sinto por aqueles que os evitam e que acham que é ruim.
Ruim é aceitar uma pessoa que foi péssima em vários momentos sem falar pra ela que ela tá fazendo merda, ou aceitando que o machismo, o racismo a LGBTfobia está presente, além de outras formas de escrotismo e falta de respeito em prol da maldita "boa convivência".
Eu quero que se foda a "boa convivência", isso só mata um monte de gente o tempo todo, se não fisicamente, mata sonhos, mata espontaneidade, mata brilho, mata a verdade.
Aonde não houver respeito, eu vou gritar sim.
Aonde não existir empatia eu vou falar mesmo.
Como é que se muda uma realidade tão bosta como a nossa sem abalar as estruturas? 
Aliás, se não derrubar as estruturas nada vai mudar.
Eu não sei vocês, mas eu não suporto isso aqui.
O dia que eu for embora espero não voltar mais, porém enquanto eu estiver aqui eu vou causar mesmo e foda-se.
Você não precisa me aceitar nem ficar perto de mim, e está tudo bem mesmo.
Mas se quiser ficar, o mar aqui é divertido, intenso, forte e não é para os "fracos".
Eu só sei ser intensa.

PRISCILA KLESSE

terça-feira, 4 de agosto de 2020

TENHO PENSADO SOBRE NÃO ESTAR...



Vejo algumas pessoas tentando preencher um certo vazio surgido na quarentena por causa do distanciamento social, vejo elas (eu também?) aparecendo e se enfiando em 497 reuniões, aulas e eventos online.

Eu não acho isso certo, porém também não acho errado.

Por se tratar de pessoas adultas, creio que ninguém melhor do que elas mesmas podem saber onde e como se sentem bem.

Porém, ao ver (viver?) isso uma lanterninha acendeu aqui dentro e resolvi pensar sobre.

Como disse, cada pessoa sabe o que é melhor pra si e pode trilhar seu caminho livremente. mas na minha reflexão, tenho pensado muito sobre os meus buracos, os meus vazios, e que fico "caçando" coisas, atividades, e também pessoas para preencherem eles e então eu ter uma (falsa?) "ideia" de plenitude, de preenchimento, e até porque não dizer uma sensação de "estou realizando a minha missão de vida", ou "eu sou assim, preciso me envolver..."

Será?
Me parece tão arrogante.

Me parece que eu apenas estou dando justificativas para não olhar pro vazio, pros meus buracos, pra essas amputações todas que eu e todo mundo sofre ao longo da vida.

Amores não vividos e não correspondidos; sonhos não sonhados, não realizados; viagens não viajadas; pessoas que se foram, outras que nem chegaram...

Enfim, cada um sabe dos seus "amputamentos" - nem sei se esse termo existe.

Mas também temos vivido os buracos e vazios que esse momento histórico evidenciou (porque existem há muito tempo, mas ainda há que não veja): o racismo, a xenofobia, a LGBTQIA+fobia, a gordofobia e tantos preconceitos e mazelas que nos ferem, e nos matam todos os dias e há tanto tempo...

E então, me parece que inventamos atividades, reuniões, compromissos excessivos, para não termos que encarar essas coisas de frente, criamos uma reunião de articulação para nos organizarmos para "lutarmos" por uma causa, porque assim nos ocupamos com a reunião e não em encarar a tal causa, porque sim, dói, e dói muito.

Mas, até quando?

Quantos artifícios mais usaremos até não podermos mais fugir?

Será que um dia isso muda?

Será?

Ou será que até a ideia de mudança é uma fuga?

E se estamos fugindo das dores, porque só não paramos e olhamos pra elas?

Mas e se isso tudo nem existe?

E então, talvez, tudo esteja bem como está!

Não?

PRISCILA KLESSE

terça-feira, 14 de julho de 2020

CONTINUAR...



Às vezes é tão difícil continuar
Me pergunto continuar o quê?
E pra quê?
Ou seria melhor, por quê?

Talvez deveria ser...
Pra quem?
Ou por quem?

Eu não sei 

Talvez seja por mim
Ou por meus gatos
Ou sei lá...

Ou por todos aqueles que vieram antes de mim
E por todos os que estão e os que ainda virão

Será que virão?

Eu não viria.

Porém aqui estou
E não consigo conceber a ideia
de uma existência em vão!

Mas será que alguma existência é em vão?

Não.

Então insisto...

PRISCILA KLESSE

terça-feira, 23 de junho de 2020

MORTE



Tenho pensado muito na morte.

Acho que sempre pensei, mas agora talvez de forma mais latente, mais evidente.

Outro dia pensei que a melhor forma de viver deve ser fazendo as pazes com a morte e aceitando o inevitável.

Mas não consegui ter certeza.

Ou talvez só não consiga aceitar.

Tenho meus momentos de desespero sobre esse assunto, principalmente diante do que vivemos.

É insuportável pensar que mesmo com todos os cuidados, estamos correndo risco e os nossos também...

Num dia está tudo bem, de repente os sintomas e não se sabe o depois.

Perdi algumas pessoas pra essa doença, mas ela também perdeu porque outros meus a venceram.
Seguimos nesse combate.

Sem muita certeza do poderio de nossas armas e sem saber quem e quando será o próximo atingido, a próxima baixa...

Mas pensava eu...
No fundo não foi sempre assim?
A vida sempre foi e é um sopro
A qualquer momento podemos ir ou os nossos de repente se vão e ficamos nós, com os vazios...

Estou há quase 2 meses em casa, de quarentena e nunca antes na minha vida perdi tantos... e disse tantos "meus sentimentos" como nesses tempos...

Eu sei que esse é o fim de todas as nossas histórias, a gente sabe desde que nasce que um dia vai morrer, mas é difícil aceitar, cada pessoa não é um número, é um amontoado de histórias, de causos, de amores, desamores, encontros, desencontros, risos, lágrimas, tantas coisas... e em um sopro restam apenas as lembranças nos corações e na memória dos que ficaram...

PRISCILA KLESSE
 *escrito em 02 de maio de 2020

sexta-feira, 19 de junho de 2020

SONHEI QUE ESTAVA DENTRO DE UMA GAVETA



Um dia desses eu fechei os olhos e quando vi estava dentro de uma gaveta!
- Socorro! - eu gritei
Silêncio
Notei que haviam outras, outras eus na mesma gaveta e outras gavetas com muitas outras eus, todas engavetadinhas, bonitinhas, etiquetadas, enumeradas, classificadas, e ordenadas.
Que desespero!
Gritei de novo!
Silêncio
Como isso foi possível?
Logo eu, tão "contra - normas", "contra - rótulos", "contra - regras"...
Mas eu estava ali
Todas aquelas eus estavam ali - engavetadas e rotuladas, cumprindo direitinho as regras e as normas de seus rótulos.
Como isso era possível? - fiquei dias, semanas, meses me perguntando isso...
E a cada dia ia me dando conta de que mais eus estavam ali e mesmo quando eu pensava, acreditava que havia saído de uma gaveta, eu só estava entrando em outra, com outras normas e regras, mas que algumas vezes, por elas serem maiores e mais arejadas, eu imaginava ter encontrado a tal "liberdade".
Ah! Quanta ingenuidade a minha!
Mas alguma eu, ou algumas não sei bem, me diziam: "Não perca essa ingenuidade! É bom, às vezes, acreditar que não estamos em gavetas, talvez assim elas desapareçam, mesmo que seja só por algum tempo..."

Talvez as gavetas sejam mesmo criações nossas pra dar conta do nosso caos interno, que insistimos em dizer (mentir) que eles não existem.

Eu não sei, e na verdade fico feliz em não saber, em não ter respostas.

Sigo nas gavetas... ou não...
Eu não sou gavetinha.
Talvez seja um armário, uma cômoda ou um arquivo infinito de gavetas...

Ou não

Nada disso precisa fazer sentido
E nem ser definitivo
Talvez isso nem importe
E é melhor assim...

Ou não!

PRISCILA KLESSE
* escrito em 01 de maio de 2020.

terça-feira, 16 de junho de 2020

EU ALVO, ENTRE OS PRIVILEGIADOS!



O meu corpo não é alvo: cândido, branco, segundo o dicionário.

Mas é alvo: objetivo físico visado para destruição parcial ou total, segundo dicionário.

Isto eu digo quando falo de cor, e digo quando falo dos fatos. Fatos e dados expostos nos jornais, que pouco denunciam, porém, naturalizam o ato de eu ser alvo de balas e da violência policial. Que por ser pessoa de pele preta, me torno mira de um Estado assassino e opressor. Faz parte da minha dor, estando eu no Brasil, nos Estados Unidos, na França, na Inglaterra... E até mesmo, se eu estivesse em algum país da África, também vítima do europeu colonizador. Nenhum branco imagina isto. Não é algo que ele possa discursar, mas o faz. Sinceramente, não é algo que ele se preocupe, porque o afeta pouco, o comove pouco, e o ajuda muito: privilégios. Mas não serei eu que explicarei sobre os privilégios aos privilegiados, eles tem privilégios suficientes, para acessar estas informações.

Mas Aline, por que escreve este texto então? 

Ahh... Pensei em algo a escrever após o convite, e me veio estas situações todas que entraram em foco, mas em breve voltarão ao esquecimento da terna população branca. E abro meu coração aos meus amigos, para dizer que sim, todo este movimento me atingiu e me sufocou as ideias, por isto, poderia falar de qualquer outra coisa agora... Mas sinto que é bom, que é meu direito, que faz parte do que devo exigir, também ser ouvida sobre isto que me incomoda. 

Creio que no primeiro parágrafo deste texto, já expus o filme que vem e vai por muito tempo em minha mente. Não vou me alongar... Também não preciso. Também não quero. É meu direito.

Percebe, somos complexos, muito complexos. Eu sei pra quem quero falar. E eu sei pra quem devo resposta. E a cada dia desejo exercer mais da liberdade que não tem vindo gratuitamente, que não está acessível a todos, que é saqueada continuamente dos meus.

Passo por esta página, a convite de uma amada amiga.

Mas creio que a minha fala, que o meu corpo, que as minhas ideias e meus sonhos, tem um alvo também. Alvo que está direcionado aos meus semelhantes. É pra eles que desejo direcionar minha fala, para eles que desejo investir meu trabalho e minha energia, e por eles que vieram antes de mim, que desejo empenhar meus sonhos. Sonhos de continuidade. Sonhos de prosperidade. Sonhos de liberdade e vida.

Eu tenho um alvo: centro de interesse, objetivo. É por ele que luto. 

Obrigada

ALINE FERREIRA SILVA ANTONIO
@aie.antonia



Aline Ferreira, vulgo Aiê Antônia, 29 anos de idade. Taurina. Graduada em Ciências Contábeis, consultora em finanças pessoais, produtora cultural, estudante de licenciatura em Arte - Teatro, dramaturga e poeta. Corpo preto e periférico em resistência constante.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

DOS MEUS EGOÍSMOS...



Não são só os meus

ou não apenas sobre eles...

Que tempos estes?

Tão egoístas...

Ah, mas não são os tempos
os tempos não são responsáveis

A sociedade já tinha muitas figuras egoístas há muito tempo...

Talvez hoje a diferença é que estou, estamos olhando...

É muito fácil apontar pro egoísmo dos outros

E olhar para os meus?

E reconhecer os meus?

Seria tão melhor se eu não os tivesse...

Será?

Não sei

Sei que tem muitos monstros à solta e eles provocam e despertam os meus!

PRISCILA KLESSE

*escrito em 30 de Abril de 2020.

terça-feira, 9 de junho de 2020

A QUARENTENA E OS TOMBOS QUE EU LEVEI...



Será que mais alguém além de mim sentiu necessidade de uma ou de algumas folgas dentro da quarentena?

Eu nem sei se consigo explicar direito porquê, mas olha, tem hora que é puxado viu!

Essa minha sumida daqui tem a ver com isso.
Eu tive uma sequência de crises existenciais, um tombo em looping infinito... nem sei se já acabou...

Sem aviso prévio ou pedido, simplesmente foi acontecendo, quando vi já estava revisitando e reavaliando toda a minha vida, carreira, sonhos, escolhas, amores, etc, etc, etc...
(isso foi a pedra onde tropecei e meu capote começou... puxei um fio que não pára de trazer coisas...)

Travei.

A crise me fez parar.
Eu precisava silenciar e ouvir o que vinha de dentro.
Simplesmente parei e acolhi aquela tsunami que chegava.

Chorei compulsivamente durante dias, e ainda choro às vezes.

Não conseguia escrever, criar absolutamente nada, a criatividade parecia ter secado pra sempre...
Fiquei muito assustada, não estava nada bem, mas ao mesmo tempo estava tudo ok em estar assim - doidera! Parecia que uma parte minha sabia que isso era preciso, necessário e que mesmo que eu não voltasse a encontrar o mínimo de ordem nesse caos, estava tudo bem assim... (isso me manteve calma, um pouco pelo menos)

Depois de alguns dias, voltei a escrever no meu diário, já foi uma conquista.

Mais alguns dias e o hd do meu computador queimou... O HD DO MEU COMPUTADOR QUEIMOU! Eu preciso do computador para estudar e trabalhar! 
No momento em que escrevo, ainda estou sem computador, está na manutenção... tipo eu... 

Outro surto.

E então minha mente, no esforço absurdo de dar sentido ao caos, começa a filosofar sobre o momento, criar analogias e metáforas... Segue:

"O mundo que conhecíamos acabou, nós meio que "morremos" - sonhos, planos, ideias, trabalhos, atividades, etc - mas as nossas "carcaças" ficaram e muitas memórias, mas muitas coisas em nós já não funcionam como antes e se não trocarmos, atualizarmos, limparmos o nosso "HD" - cabeça, cérebro, pensamentos, use o nome que achar melhor - já já é o nosso "processador" - coração - que vai parar! Se não mudarmos nosso jeito de pensar, de lidar com as coisas, nossas emoções não suportarão..."

Definitivamente uma grande brisa minha no meio da quarentena... 

E hoje eu to sentindo que a vida ta esfregando na minha cara que eu preciso aprender que eu não controlo absolutamente nada e principalmente: Que eu não sei nada! Porque eu achava que sabia lidar com certas coisas, que essa coisa do controle eu já tava lidando melhor...

Uma piada, onde a vida que está rindo, porque eu...

Nada

Se algum dia eu tive alguma coisa no lugar, essa coisa saiu agora...
Tá tudo zuado!

Mas ao mesmo tempo tá tudo bem.
E não estou dizendo isso porque estou negando o caos, ou porque sou bipolar, pelo contrário, to bem ciente do meu caos interno e aceitando ele bem de boas - se não pode com ele, junte-se a ele, não é isso?

Talvez daqui eu consiga criar uma nova eu, melhor e mais interessante, o que eu gostaria muito, porque eu mesma ando enjoada de mim.

Só que eu estou feliz, tem sido difícil ficar em isolamento, sinto falta do contato, dos abraços, de estar com as pessoas que gosto.

Eu perdi pessoas nesses dias...

Acho que eu nunca perdi tantas em tão curto espaço de tempo em toda a minha vida como nesses tempos que vivemos...

Eu não vejo a hora que isso acabe...

Por favor, fique em casa se você puder, use máscara, lave as mãos, tome os cuidados.
Vamos nos cuidar e cuidar dos nossos...
É muito triste tudo isso...

PRISCILA KLESSE
*escrito em 30 de abril de 2020

sexta-feira, 10 de abril de 2020

EUS



Tenho reencontrado vários eus nesses dias

Eus de outros tempos, de outras épocas, de outras histórias.

Eus tão interessantes, tão inteligentes, tão sábios que
nem me  parecem que foram eu

Aliás,

que eu fui eles,

Mas fui e sou

Sou eu

Eu, feita, forjada no fogo por cada um deles.

Às vezes um fogo brando, gostoso como um aconchego de um abraço

Mas os eus que mais admiro

foram e são os que me fizeram queimar

E então renascer todas as vezes!

PRISCILA KLESSE

terça-feira, 7 de abril de 2020

SEM TEMPO IRMÃO! - EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS



Já faz tempo que eu queria escrever sobre os "sem tempo", eu cheguei a elaborar um começo, mas eis que a vida disse: "Ceis tão sem tempo? Péra que eu vou resolver!" e estamos quase todes em isolamento, e todo esse momento que estamos vivendo... Evidente que diversos profissionais seguem trabalhando, se expondo, correndo risco e a minha gratidão é eterna!!!

Mas, teoricamente, agora temos tempo... estamos em isolamento... enfim em nossas casas, hora de fazer faxina, arrumar aquele armário que há 5 anos você tem vontade, reformar aquele quartinho de bagunça, pintar aquela parede, fazer aquele curso on line, e etc etc etc...

Mas eu já to sem tempo!
Sem tempo pra ficar escolhendo qual live vou ver
Sem tempo pros 543 cursos on line que me inscrevi
Sem tempo pra mensagens good vibes
Sem tempo pra fake news
Sem tempo pra ignorância
Sem tempo pra você que tem acesso à informação e escolhe ser idiota
Sem tempo pra conversinha mole...

SEM TEMPO, IRMÃO!

Minha paciência já foi...
Ou, como me perguntou minha mãe: "Algum dia ela esteve?"

É provável que nunca esteve, ou que sempre foi pouca...

Mas porra velho!

É todo dia isso...

Preferem acreditar num boçal do que em cientistas, pesquisadores, médicos, especialistas e pessoas que dedicam suas vidas em aprender, saber, conhecer...

Já nem sei mais o que dizer...

PRISCILA KLESSE

sexta-feira, 3 de abril de 2020

SÓ?



Um dia notou que estava só
Não havia ninguém com quem contar
Tanta gente em seu entorno...
Estava só
Chorou
Sofreu
Acreditou que tudo havia chegado ao fim
Seus sonhos
Suas lutas
Tudo o que acreditava

Com o passar dos dias
Percebeu que tinha uma companhia constante
Não aceitou logo de cara
Relutou
Não queria aquela companhia de forma alguma!
Queria os amigos, a família...

Cansou de sofrer só
Sentou-se e escutou
Percebeu que a melhor companhia de todas estava ali
Apenas não havia notado antes

Conversaram
Se entenderam
Seguiu bem
Percebeu que estar só, é estar consigo
A melhor companhia que se pode querer!

PRISCILA KLESSE

terça-feira, 31 de março de 2020

ISOLAMENTO SOCIAL, PANDEMIA E CONTROLE



Hoje serei direta! Vou direto ao ponto!

VOCÊ NÃO CONSEGUE NEM SE CONTROLAR E QUER MESMO CONTROLAR A VIDA?

Você acha mesmo que é possível?

Eu não vou ficar aqui explicando o que é uma pandemia, epidemia, nem nada, o google tá aí pra nos ajudar, mas não vivemos só a doença Covid-19, como já escrevi em outros momentos, vivemos diversas epidemias, pandemias, surtos coletivos e são tantos, que poderiam ser assunto ainda pra outros textos.

Mas, porque na vida sempre existem os "mas", hoje estou aqui pra escrever sobre essas três coisinhas bonitas ou não, que estão no título e você deve estar se perguntando: "ela tá surtada? já começou com um negócio sobre controle, deu uma enrolada e ainda não disse nada, tá louca?
Talvez eu esteja sim, talvez estejamos todos nós, mas observando as pessoas, que por sinal é a coisa que eu mais amo fazer na vida, observar pessoas, eu e as demais pessoas... to percebendo que o isolamento tá puxado pra várias, difícil pra algumas, insuportável pra outras, e to notando um negócio bem interessante acontecendo...

Bom, como é nítido pra todes que vivem na Terra nesse momento (pelo menos eu quero crer), a pandemia do novo coronavírus exigiu que mudássemos completamente nossa vida, que nos isolássemos em casa para diminuir a curva do contágio e não colapsarmos ainda mais o que já está em colapso.
Pois bem, muitos de nós está há dias lidando com o estar em casa e não poder sair, convivendo exaustivamente com familiares, não convivendo com ninguém, vendo as ruas muito quietas, vazias, comércios fechados e etc...
Evidentemente há exceções para o que vou colocar, mas no geral, estamos habituados à correria, ao barulho, ao acúmulo de tarefas, falta de tempo, tantas coisas pra fazer, dar conta e controlar e tudo o que nos afasta de ouvir à nós mesmos, e então a vida nos jogou nessa nova situação!

A vida, essa linda que é uma aventura com resultados surpreendentes!

Ela nos trouxe uma situação que não temos nenhum controle, nada, estamos tomando todos os cuidados, fazendo todas as recomendações, mas certeza absoluta que não ficaremos doentes, impossível! Várias pesquisas acontecendo, o que é ótimo, mas ainda uma doença sem cura!

Veio uma pandemia, exigiu nosso isolamento social, coisa inimaginável pra muitos de nós, e então o choque: não temos controle! Nós, com nossas agendas, nossas tarefas, planilhas, projetos, sonhos...
E a vida disse: Oi? É mesmo? Você acha que é você quem controla isso tudo? Peraí, que ainda tem uma coisinha pra você aprender humano!

Tá tudo mudando o tempo todo, nem os mesmos átomos que compunham seu corpo quando você começou a ler isso aqui já não estão mais na mesma composição, em seu corpo tem células morrendo e outras nascendo o tempo todo, e desculpa, mas não é você exatamente quem tá no controle...

Até outro dia estávamos cansados de tanto trabalhar, estudar e talz, nosso sonho poderia ser uns dias em casa, descansar, não se preocupar com o despertador tocando e todas as nossas obrigações. Hoje, muitos de nós sofrem de saudade dos amigos e familiares que não encontramos pessoalmente tem tempo, nos preocupamos em não ficar doentes e que os nossos não fiquem, aqueles de nós que como eu são autônomos, se preocupam até quando poderão comer e quais contas poderão pagar...

Eu juro que eu queria ter uma solução pra tornar isso tudo mais leve, mas eu não tenho... inclusive tenho arrumado briga com quem me vem com mensagens "good vibes", do mesmo jeito que brigo com quem só fala em política e em doença!

Eu peço equilíbrio... eu também tô procurando por ele...

Essas três palavrinhas que escolhi pra titular e motivar a escrita de hoje, são as três coisas que mais tem me ensinado nesses dias...
Eu ainda poderia escrever muito sobre, mas vou ficando por aqui...
Fique bem, fique em casa!

PRISCILA KLESSE

sexta-feira, 27 de março de 2020

QUEBRE A SEQUÊNCIA DAS EPIDEMIAS


Nestes tempos, não nos falta informação pra entendermos os cuidados que precisamos ter por conta da Covid-19, e isso é incrível!
Mas eu, que normalmente já penso muito, nesses tempos de isolamento e confinamento, acabo pensando ainda mais...
E venho pensando sobre quebrar a sequência de outras "epidemias" que vivemos...
Pensava sobre a "epidemia da ignorância", a "epidemia da fakenews", mas como acredito que nossos maiores problemas e aprendizados estão nas relações, eu resolvi hoje abordar essa epidemia, a "epidemia das relações tóxicas".

Só pra já deixar nítido, todo mundo é tóxico em algum momento tá? Mas isso não é razão pra gente se manter onde não nos sentimos bem e amados!

Quantas relações vivemos que nos adoecem? Vamos suportando e não quebrando o contágio porque "é só uma gripezinha", e quando vemos estamos tão ou mais doente do que aqueles que nos adoeceram.
Por mais difícil que seja, e às vezes precisa de bastante tempo, precisamos sair de onde nos adoece, de onde não somos amados e respeitados.
Várias relações podem nos adoecer, o crush, a mãe, o pai, os amigos, a família, o trabalho, o desgoverno de uma nação...
Eu não tenho a solução, e sei que é difícil, e como sei!!!

Às vezes é um grupo familiar e tem uma ou duas figuras ali que adoecem os demais, mas a galere acha que é só uma gripezinha, mas você já notou que é sério e tentou alertar os demais... mas a família segue tolerando em prol da "boa convivência". 
Pra quê? Você se pergunta...
Como estamos acostumados a nos enganar, né!?

Mas como você enxergou, viu o mal que te faz, alertou os demais do perigo e ninguém acreditou em você, ou se acreditou fez a sonsa, você se afastou da(s) figura(s), bloqueou nas redes, atravessa a rua, mantém o distanciamento saudável, ao menor sinal de possibilidade de contato você já vai tomando banho, lavando bem as mãos e passando álcool gel... e o(s) sujeito(s) lá, causando por aí na família...

Então, por amor próprio, pela sua saúde, chega o dia em que você diz tchau para essa família e vai para seu isolamento, você os ama muito, quase todos na verdade, sentirá falta deles, das festas, dos almoços, das rodas de conversas, mas sabe que precisa ir, que precisa se isolar, precisa trilhar outros caminhos e deixar que eles trilhem o caminho que escolheram!

Você já viveu outras "epidemias" e aprendeu, estudou, sabe que assim será melhor pra todes!

Alguns dias serão bem difíceis sem eles, mas dias difíceis já existiam com eles...

Você não rompeu o contato totalmente, o amor, o afeto, o carinho que você tem por eles, segue o mesmo, e mesmo que não seja fisicamente, eles sabem como te contactar...
Talvez eles não tenham entendido, talvez nunca entendam o que você está fazendo... não importa, você sabe as razões...

Demorou muito pra você se amar assim, se respeitar assim, mas esse dia chegou!
Você enfim descobriu como ser imune e como se curar dessas enfermidades, entendeu o quanto é importante para si mesmo!

Um dia reencontrará sua família, mesmo que ela tenha outros rostos... mas ela estará lá, talvez já esteja!!

PRISCILA KLESSE

terça-feira, 24 de março de 2020

PRECISAMOS DIVIDIR NOSSAS LUTAS


Por mim.
Perdida. Apagada. Escondida.
O que fazer quando nem o sol mais te agrada? O que pensar quando nem a lua mais te dá luz? Nossa mente é a nossa vida?
Nossa mente nos guia, nos afunda, nos tortura.
Nossa mente nos persegue dia e noite, faz com que tudo vire uma tremenda escuridão. Um feixe de luz já não é suficiente.
Aquela pureza infantil já não te pertence.
Desistir?
Mas de novo?
Como vai dar o primeiro passo com toda essa desistência?
Com a mente vazia e com um buraco na cabeça que se vê um caminho que não é traçado, um caminho que nem sequer teve início.
Um abraço já não resolve.
E a solução já nem existe.
Segue sempre com um arrependimento revestido de tristeza, porque é a tristeza que desenvolve os poderes mais obscuros da nossa mente.
Talvez se eu tivesse feito diferente anos atrás... talvez agora seria tudo diferente, eu teria motivos pra sorrir e me vangloriar.
Talvez agora eu estaria no topo. Lá em cima.
Ou talvez as coisas são apenas como devem ser.
Mas quem pode provar?
Quem vai te mostrar que na verdade o que você sente é extremamente normal?
E se tudo isso ainda continuar sendo apenas a vírgula?
E o mar? Ele continua subindo... e já ultrapassa o pescoço.
E tenho tudo pra ser feliz
Mas acontece que eu sou triste.

AGNES NABIÇA

sexta-feira, 20 de março de 2020

TODAS AS MULHERES EM MIM ESTÃO CANSADAS


Por mim.
Estaria eu em meu leito repousando.
Minha mente confusa, cansada...
tantas ideias, tantos planos futuros, tantos erros, tantos medos...
Insegurança...
Tento encontrar a calma mas não encontro, me monto rapidamente e me despedaço novamente.
Minha mente necessita de ação, organização e foco.
De mudança.
Para ativar e mover meu subconsciente confuso e doído.
Que venha rápido e me abrace a alma, deixe-me viajar...
Corro sempre atrás da inimaginável felicidade, daquela pureza infantil, daquela calma passada que só tive uma única vez.
Sou uma típica criança, que chuta ondas no mar e se afoga, que mergulha no rio e boia, que cai no asfalto e se machuca, que planta bananeira só pra sentir o sangue na cabeça e o vento nos pés.
Todo mundo tem o seu limite, o seu ponto final.
Mas e se tudo isso for só uma vírgula?
Me sinto tão exausta mentalmente, que a minha única preocupação, é se o meu eu já não se acabou.
Talvez o meu eu nem tenha começado,
talvez o meu eu nem tenha saído do casulo, ou talvez o meu eu já nem exista mais.
Só quem está dentro de si, sabe o que se passa dentro de si.
O pior cansaço é mental.
A dimensão de seus problemas é sua cabeça que calcula.

AGNES NABIÇA

terça-feira, 17 de março de 2020

PÂNICO, SURTO, EMPATIA E AFETOS EM TEMPOS DE CRISE



Impossível não pensar sobre essa loucura desse momento que estamos vivendo...
Estou vendo medo, pânico sendo difundido e acho surreal isso tudo...
Tem uns absurdos por aí que são difíceis de lidar...

Outra coisa que me pega são os grupos e páginas religiosas, ou good vibes que estão dizendo cada coisa... aff

Mas assim, tem muita coisa boa acontecendo também, empatia surgindo, uma abertura para a compreensão de que eu não vou me expor não só pela minha saúde, mas principalmente pra não ser transmissora do vírus...

Eu sinto que ainda temos coisas pra aprender e sou das que acredita que tudo na vida é aprendizado, mas eu não vejo isso de forma romantizada, por favor, não me confunda com esse povo good vibes que não considera as realidades que cada um vive.

É muito fácil pra uma certa faixa de nossa população ficar em casa, trabalhar de casa, ou ficar um tempo sem trabalhar porque tem uma poupança ou algum rendimento que garante sua sobrevivência dentro desse período.
Mas, existem milhares de pessoas, milhões, que são autônomas, que se não saírem pra trabalhar não tem dinheiro, se não abrirem seus pequenos comércios não terão o que comer amanhã... Existem também os que são funcionários de empresas e residências que seus patrões pararam de trabalhar, mas estão exigindo que seus funcionários trabalhem...

Transporte lotado... mas a recomendação é evitar aglomerações...

O pobre, sempre o pobre segurando a sociedade... pagando com sua vida para que o topo da pirâmide siga intocável...

Se você não concorda com isso como eu, faça algo, quebre o ciclo.
Se você tem como ajudar alguém que vai ficar sem trabalhar e sem ter grana nesse período, ajude!
Se você pode comprar coisas pra estocar, não compre tudo, não quebre a economia, não colabore com o aumento dos preços e a falta de produtos, não piore o que já está difícil. Ajude.
Se você conhece idosos, ofereça de fazer coisas pra eles na rua, mercado, banco, farmácia... mas deixe na porta, evite contato... Mas ajude! Pense em possibilidade de ajudar.

Outra coisa que estou notando é a personalidade das pessoas se revelando... já vi gente disfarçando seu desespero em impulso de compartilhar informação nas redes, mas sem filtro algum e difundindo desinformação, um deserviço nesse momento... vi gente querendo ser liderança e ajudar um grupo a manter a calma sendo absurdamente autoritário e causando mais surto nas pessoas e brigas... tenho visto pessoas se ouvindo mais também, sendo compassivas... precisamos manter nossos afetos...

Sabe, eu to desconfiada que se estivermos abertos, essa crise poderá nos lembrar que o outro é humano como eu, sente dor como eu, tem dificuldades como eu...

É muito triste que muita gente precise de uma crise pra se lembrar disso... 

Eu ando triste porque eu amo abraçar e beijar as pessoas... eu amo minha solitude, mas a convivência me faz tão bem também... afeto faz bem, que nosso isolamento nos lembre disso, e que a gente saia melhor em todos os sentidos...
Que a gente saiba usar a tecnologia a nosso favor, que a gente não fique apenas maratonando séries e filmes, que a gente faça muitas chamadas de vídeo, que a gente mande e receba muitas mensagens nas nossas redes...

Amor...

PRISCILA KLESSE

sexta-feira, 13 de março de 2020

TENTEI FALAR DE SIMPLICIDADE...



Precisamos ser mais simples, alguém disse
O que é simplicidade? outro alguém perguntou
Será que isso está relacionado àquele texto sobre As Insignificantes coisas incríveis?
Será que estamos confundindo simplicidade com felicidade?

Tenho uma lista com assuntos, temas, ou coisas que gostaria de escrever, que me ajudam a criar os textos que posto aqui. Às vezes partem de ideias minhas, às vezes pedidos de vocês e talz...

Hoje foi um dia que recorri a essa lista para pegar um assunto e escrever... e cá estamos!
E eu não sei o que virá!

Eu leio muito, estudo muito, medito, vejo palestras budistas, taoístas, e sempre percebo que na simplicidade há muita felicidade e contentamento. Mas como isso é difícil!!

Não estou aqui pra te vender nenhuma filosofia, ou religião, muito menos me tornar coach de felicidade ou te ensinar como ter uma vida mais simples, to aqui mais pra dividir com você e também saber de você como você sente essas coisas e talz...

Eu concordo com essa fala de que precisamos ser mais simples, eu vejo que colocamos muitos poréns, muitas questões, burocratizamos tudo, inclusive nossas relações... além de nos afastar, isso é chato pra caraleo! A gente fica criando joguinhos... tenho preguiça! Eu só quero ser eu, sabe? E ser aceita assim, ou não e tudo bem também... Não tenho mais paciência de ficar me encaixando nas relações... ninguém é obrigado a gostar de mim, assim como não sou obrigada a gostar de ninguém, se temos que trabalhar, que nos respeitemos, mas não temos obrigação de conviver. Que cada um seja o que é e que a gente possa decidir com quem a gente convive e talz... isso me parece simplicidade, mas não tenho certeza se é...

Parece que abordar isso é repetir coisas que já venho escrevendo...

Também me parece que justamente pra falar sobre o simples, ou na tentativa de dizer o que eu entendo como simples, simplicidade eu esteja é complicando mais... (isso é muito provável!)

O significado de Simplicidade no dicionário é: Ausência de complicação, qualidade do que é simples, do que não é composto.

Como garantir a ausência de complicação nessa sociedade que ama a burocracia? Como ter simplicidade quando amamos o complexo...
Como nos livrarmos de tantas coisas para sermos simples?

EU NÃO SEI!

De verdade, eu não consigo dar uma resposta...

Eu tento desburocratizar minhas relações, procuro ser simples num sentido de ser o mais tranquila e transparente possível; acredito que "jogar limpo" pode ajudar muito a tornar as coisas mais fluidas, fácil não é, preciso sempre exercitar a minha paciência e nem sempre consigo, porque também precisamos escutar os demais, ouvir mesmo, não pra responder, mas pra entender que estamos todos aprendendo, e que não é fácil simplificar as coisas... mas então que seja um desafio e uma busca constantes!

PRISCILA KLESSE

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terça-feira, 10 de março de 2020

APRENDENDO COM AS RELAÇÕES



O tempo todo a vida está nos mostrando quem e como são as pessoas.

Quando a fase é próspera é preciso observar quem está e porquê está.

Estas pessoas vibram de verdade pelo teu sucesso? Ou estão apenas se beneficiando dele?

Você não precisa se afastar de ninguém, apenas esteja atenta/o pra não se surpreender...

Aí quando a fase é ruim é aquela coisa... dizem que só os verdadeiros amigos é que ficam...
Eu não sei disso não.

Às vezes o amigo, é amigo, mas não tem estrutura pra estar ao seu lado nesse momento, pode estar passando por coisas que não consiga lidar e não consegue ajudar ninguém.

Do mesmo modo que algumas pessoas podem se aproximar só porque sentiram "cheiro de carniça" e aguardam a sua decomposição.

Com o tempo, o passar dos meus anos, eu tenho observado mais.

Tenho aprendido a desconfiar menos e aceitar mais.

Mas também não crio grandes expectativas...

Já contei que pessoas que eu amava muito vibrariam com meu sucesso e elas foram indiferentes...
Já contei com mão estendida que não estava lá.
Já tropecei e quem me levantou eu jamais poderia imaginar.
Já vi gente tão debilitada quanto eu, ou até mais, mergulhar pra me salvar.

Meu exercício hoje é não julgar
É difícil...

Já deixei meu sucesso um pouco de lado pra socorrer quem precisava de mim.
Já guardei minha dor no bolso pra vibrar pelo sucesso de alguém.

Fácil não é...

Mas me parece que isso é viver...
Ao menos um aspecto do viver...

PRISCILA KLESSE

sexta-feira, 6 de março de 2020

DIA INTERNACIONAL DA MULHER



Queria falar sobre a importância desse dia
Sobre a História
Sobre as lutas que o marcaram
dos fatos que fizeram e ainda fazem com que ele seja necessário

Não queria ter que dizer que eu não quero flores
Que eu quero respeito!

Queria não precisar do 08 de Março
Queria não precisar ir pra rua gritar
Queria nem precisar gritar

Mas grito!

Não sou nem estou histérica quando faço isso
Não é TPM
Não sou louca

É só essa sociedade que não me ouve
Você me ouve?
Ou será que eu sou só mais uma fazendo mimimi?

Vocês precisam entender que quando falamos merecemos seus ouvidos
Como vocês os entregam aos homens...
Já ta passando da hora...

Mas eu não vou ficar falando aqui não...

PRISCILA KLESSE

terça-feira, 3 de março de 2020

CORAÇÃO GUERREIRO NATUREZA (não sei que nome dar)



Meu coração era o mais puro amor
Repleto
Cheio
Vibrante

Decidi abri-lo inteiramente
Me doar, me entregar

Ele me foi arrancado
Queimado
Dilacerado
Torturado

Como se derruba uma árvore?
Como se queima uma floresta?

Dessa mesma forma pereceu meu coração...
Do amor que habitava nele
nada sobrou
Tudo perdeu a cor
As cinzas tomaram conta
O vazio se tornou Imperador!

Mas se este coração for guerreiro como a sua Natureza
ele brotará novamente e crescerá, se colorirá e
nada deste vazio restará

Até lá, só me resta esperar...

PRISCILA KLESSE

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

VIAGEM PARA O CÉU



Hoje eu olhei pro céu
eu sempre olho pro céu
Nem sempre...
tem dia que tá tudo tão nublado que eu não consigo...

Mas tem dia, que é ele que me trás de volta
e que me leva
eu viajo...

Ah, o céu
Que fascinação eu tenho por ti

Queria voar, nadar nas tuas nuvens de algodão
Sonhar
Flutuar

Quem me dera visitar novos planetas...
visitar a lua
aprender a brilhar com as estrelas

Me tornar imensidão e infinito com você!

PRISCILA KLESSE

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

PRESENTE PARA MINHA MÃE



Quando uma mulher nasce, ela já trás consigo os óvulos que poderão ou não gerar seus filhos.
Assim sendo, uma parte do que cada um de nós é, também esteve no útero de nossas avós.

De uma forma bem pequenininha, uma parte de mim nasceu com você minha mãe!
Então hoje, que é seu aniversário, é um pouquinho o meu também!

E eu só posso agradecer
Agradecer sua existência
Não apenas pela biologia que me ajudou a existir,
mas por tudo o que você fez e faz pra que eu não desista e (r)exista!

Assim como você tem seus defeitos, eu tenho os meus
E é bom que seja assim
Gente muito perfeita é chata e sem graça!

Eu te amo do jeito que você é.
Eu te amo muito mãe!
Feliz Aniversário.
Que venham muitos mais aniversários pela frente
Muitos anos
E que a gente siga se amando e se estranhando de vez em quando... hahahaha

Todo meu amor pra você mãe!

Dessa sua filha...

PRISCILA KLESSE

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

SOBRE ACEITAR QUEM SOU, QUEM VOCÊ É E FODA-SE!



Eu sou uma pessoa que pensa muito (risos).

Ás vezes eu acho isso horrível e queria que fosse diferente...
Outras vezes não!
No caso desse momento, não mesmo!

Tava aqui pensando sobre o quanto de energia a gente perde dando atenção pra uns assuntos e umas pessoas tão "nada a ver"... (risos)
Eu passei tanto tempo da minha vida me importante se eu não seria aceita e adiantou do quê?

Sinceramente!

Hoje, que eu to bem "foda-se", eu continuo sem a aprovação de um monte de gente, mas eu to tão mais feliz!
Tanta gente legal, amorosa de verdade se aproxima de mim, que eu nem consigo mais sentir falta das que se foram...
Meu coração aprendeu a lidar e se tranquilizar.

Eu entendi que assim como eu não devo ficar aonde não me sinto bem, as outras pessoas também não devem.

Entendi que é muito fácil sair por aí dizendo que me afastei de Fulano, Beltrano e Ciclano porque eles são "tóxicos", mas e eu né?
Será que sou uma santidade? Um "alecrim dourado" como dizem os memes?

Óbvio que não!

Tenho certeza que já fui, ainda sou e infelizmente serei tóxica com várias pessoas em diversas situações.

Sabe, sou imperfeita! (uau! choquei um total de ZERO pessoas! hahahahaha)

Como todo mundo é!

E isso para mim tem sido libertador!

Assim como eu passei a aceitar essa minha "condição", eu tenho aceitado as pessoas como são.

Isso não significa que vou manter todas na minha vida, mas que vou manter uma distância saudável, que vou respeitar as minhas vontades, a minha saúde mental e emocional.

Porque no fundo está tudo certo assim.

E eu sigo aprendendo...
Você segue aprendendo...
E nós seguimos!

PRISCILA KLESSE

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

RETRATO DO ARTISTA QUANDO COISA - Manoel de Barros



A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
- eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc, etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

O FIO DA PALAVRA - Bartolomeu Campos de Queirós



A vida é um fio,
a memória é seu novelo.

Enrolo - no meu novelo da memória - o vivido e o sonhado.

Se desenrolo o novelo da memória,
não sei se tudo foi real
ou não passou de fantasia.

A vida é um fio
mais fino que a linha da aranha.
Tem uma ponta no nascimento
e a outra: eu não sei, não.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

VIDA, FLUXO E CAMINHOS



A vida é incrível.
Muitas vezes não é fácil.
Mas isso não a torna menos incrível.
Em alguns dias, alguns momentos a gente não sente vontade de sorrir, de acreditar nos nossos sonhos, de ter fé, parece que nada mais vai dar certo.
Em outros dias, sem nenhum motivo aparente, acordamos com a certeza de que agora vai, de que não haverá obstáculo que me impedirá, nos vemos cheios de energia e talz.
Na verdade eu não confio em nenhum desses dois pontos, me soam extremamente perigosos.
O desânimo excessivo nos faz perder a esperança e podemos ceder a um estado que é muito difícil de sair, e acabar ficando por lá muito tempo, já que o tempo todo olhamos os "sucessos" das outras pessoas na internet. 
É preciso que cuidemos de entender isso, as fotos dos passeios e da vida incrível das pessoas são só momentos, instantes; todas, eu disse TODAS essas pessoas sofrem como nós, sentem como nós, adoecem, tem dores, caganeira, choram, borram a maquiagem, exatamente do mesmo jeitinho que a gente, aquilo que você vê ali é só um momento, e pode sim ser postado e comemorado, o problema é a gente acreditar que aquilo é a verdade completa de alguém e que você também deveria viver tal "verdade".
O excesso de alegria e confiança, pode ser só euforia, e geralmente vem carregado de ansiedade e altas expectativas, daí, eu confio que sou perfeita, e que hoje tudo vai dar certo e ser incrível, até o primeiro não, a primeira frustração, e então eu afundo, perco a fé, e desisto ainda mais gravemente, e assim vivo um ciclo de extremos, de sofrimento, dias muito confiantes e dias de grande sentimento de derrota. É muito difícil sair sem entender...
E eu sei porque eu ainda vivo isso às vezes.
A solução não é simples, e nem sei se eu a tenho, mas vou compartilhar o que funciona comigo...
Terapia, seja um psicólogo ou alguma outra terapia alternativa, muito auto-amor, autorreconhecimento, é preciso aceitar os momentos de dor e sofrimento e nos acolher, fingir que isso não existe, não olhar pra isso só piora tudo. Nos acolher e nos amar como faríamos com um amigo querido, um filho, uma criança, nos abraçar. É preciso olhar e reconhecer realmente as coisas boas que existem em nós, que nós somos, nos darmos valor, isso não é arrogância ou egoísmo; se não nos amarmos, se não reconhecermos o nosso valor ninguém mais irá, e na verdade, esperar que o outro nos ame, que nos valorize é das maiores frustrações que podemos viver. 
A única pessoa que vai com a gente do nascimento até a morte, é a gente mesmo, então essa é a pessoa que nos interessa ter o reconhecimento. Mais uma vez, isso não é egoísmo, mas nem por isso você deve sair por aí pisando nos demais... 
Se afastar de pessoas que não nos acrescentam nada, que são negativas e que só reclamam, ajuda muito, não é pra sair virando a cara, apenas uma distância saudável pra você, talvez amanhã você reencontre essas pessoas e se sinta bem de novo...
Mesmo nas tempestades a natureza não desiste de viver, pelo contrário, também faz parte de sua naturalidade, e nós, apesar de termos esquecido, somos natureza também, e é o fluxo da vida, esse movimento, às vezes sol, às vezes frio, às vezes chuva... e é só o movimento natural, o fluxo da vida... Reclamar não resolve, aceitar e se permitir aprender, ouvir os ensinamentos que tudo trás pode ser sim um bom caminho.

PRISCILA KLESSE

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

COLETIVIDADE - de Anderson Borges


Coletivamente solitários

Juntos e separados

Virtualmente unidos

Materialmente desconectados

Procurando nas ilusões virtuais algum rastro de felicidade e calor quase humano.

Mas as alegrias são efêmeras como todo o resto da nossa rede de sonhos

Apenas a dor permanece latente, o desespero do retorno à odiosa realidade.

Nos lembrando do fracasso de nossas relações reais...

e brutais.

ANDERSON BORGES

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS - MANOEL DE BARROS



Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

AS INSIGNIFICANTES COISAS INCRÍVEIS


O rascunho deste texto estava guardado aqui nas coisas já faz tempo e infelizmente eu havia me esquecido dele, perdido ele...

2019 foi um ano bem complicado, não só pra mim, eu sei...

Mas agora relendo o que era rascunho e repensando nele, pensando no que me motivou e relembrando como eu imaginava que ele seria, sinto que foi melhor ter "perdido" ele pra reencontrá-lo agora.

Esse texto nasce de uma conversa de pelo menos três dias com uma amiga muito importante e de certa forma ela me ajudou a escrever.

Vamos lá!

Nós sempre conversamos sobre muitas pautas existenciais, até que chegamos nessa frase (o título do texto), E por que essa frase? Por que compartilhar isso aqui?
Porque percebemos que diariamente vivemos acontecimentos incríveis que não damos valor... "Ah Pri, mas isso é meio óbvio!" - Sim, mas parafraseando Brecht, vivemos um tempo em que é preciso dizer o óbvio, mas eu ainda vou além, o óbvio é óbvio pra quem? Enfim, isso dá outro texto...

Eu não sei vocês, mas nós temos vivido tempos onde muita coisas não tem graça, a gente não sente tesão pra fazer as coisas e é muito difícil se animar... E percebemos que vivemos esperando que algo incrivelmente sensacional aconteça e nos resgate do limbo... (quando digo nós, digo além de nós duas, nós população, evidente que devem haver exceções), e a real é que estamos cheias de "insignificantes" coisas incríveis nos acontecendo o tempo todo e nem prestamos atenção porque nossa arrogância julga serem pequenas demais para serem consideradas...

Assim, nós meio que fizemos um "levantamento" dessas coisas...

* Um dia, eu estava muito mal emocionalmente e "caí", e ela me levantou,me estendeu a mão e não me deixou desistir.
* Num outro dia, ela diz que foi importante eu dizer pra ela que precisamos acreditar no nosso poder.

A seguir, não importa qual ou quem foi, mas são mais coisas que entendemos como incríveis:

* Ter com quem chorar mesmo que via WhatsApp
* Receber apoio para uma prova, um vestibular
* Receber um elogio, um incentivo sobre um trabalho, um texto, um projeto ou até a realização de uma tarefa simples
* Ter uma companhia para ir a um evento que é importante pra você, mesmo que pra essa pessoa não seja, mas ela não te deixou sozinha
* Ganhar comidinhas, docinhos, uma bala que seja
* Cozinhar pra alguém, ou alguém cozinhar pra você
* Assistir um vídeo, um filme, uma série
* Conseguir passear sozinha e se sentir bem fazendo isso
* Receber um vídeo, uma figurinha, um meme de alguém que lembrou de você
* Rir
* Tomar sorvete
* Desfrutar da companhia de pessoas legais
* Bater papo na calçada ou em qualquer lugar
* Um abraço
* Um café
* Um chocolate
* Um cafuné
* Ouvir uma música
* Receber uma música de alguém que lembrou de você quando a ouviu
* Contar uma piada, rir de uma piada
* Ler
* Ter uma boa noite de sono
* Comer sua comida preferida

E tem tantas coisas mais...

Como ela mesma disse na época: "são coisas muito incríveis e bem significativas no final das contas!"

Eu concordo!

PRISCILA KLESSE